Category Archives: De papo com ele

As mulheres para o candidato José Serra: Parideiras e prostitutas

receba as atualizações do site no seu email é grátis. Digite seu email na caixa e clique em receber , não se esqueça de confirmar a inscrição no email cadastrado


por Mirgon Kayser
No dia 14 de outubro publiquei o texto “Ainda hoje as  mulheres são mantidas longe do poder”, onde citei a  “participação feminina” na campanha de José Serra à  presidência da República. Serra jamais falou em participação  das mulheres na política, jamais falou nos salários mais baixos  que as mulheres recebem no mercado de trabalho, jamais  falou na redução da violência contra a mulher, enfim, jamais falou em políticas públicas voltadas para as mulheres, a não ser aquelas voltadas à maternidade.
Ao longo de todo o período eleitoral, Serra tratou as mulheres como sinônimo de parideiras. Afinal, é essa a mensagem que passa uma campanha que liga sistematicamente a questão da mulher apenas à maternidade.
Se tivesse ficado somente nisso, teria sido a marca do machismo numa campanha marcada pelo religiosismo e a defesa de toda a agenda do conservadorismo mais retrógrado.
Mas Serra não pararia por aí. Em encerramento de ato político hoje, em Uberlândia, Serra voltou a pedir para que seus eleitores buscassem outros votos além do seu. A “novidade” na fala que ele vinha fazendo desde o primeiro turno foi pedir para que “meninas bonitas” seduzam homens para que votem nele.

Segundo matéria da Folha.com (clique aqui e leia a íntegra da matéria), Serra afirmou que “Se é menina bonita, tem que ganhar 15 [votos]. É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45”.

Como assim? Isso é degradante até mesmo para José Serra, baluarte do conservadorismo. Um homem que manda mulheres usarem o poder da sedução para tirar algo de valor (no caso o voto) de outros homens tem nome: Cafetão.
Serra, faltando poucos dias para o fim do segundo turno, inaugurou uma nova etapa no trato que sua campanha deu até então às mulheres. Evoluiu da mulher-parideira à mulher-prostituta. A maternidade é UMA das muitas características da mulher, mas a mulher não se resume à maternidade. Assim como  a  auto-exploração da sensualidade deve ser uma opção restrita ao indivíduo e respeitada por todos, mas NINGUÉM tem o direito de explorar a sexualidade e a sensualidade alheia.
Serra extrapola seu próprio machismo e atinge um novo patamar, o do explorador de mulheres, mas só as jovens e bonitas. Exatamente igual ao que faz qualquer cafetão quando “seleciona” meninas novas para agradarem seus clientes.
Se Serra já merecia toda a crítica pela ausência total de políticas públicas para mulheres, hoje Serra passou a merecer o desprezo que merece qualquer explorador dos atributos físicos e sexuais das mulheres.


Ainda hoje, as mulheres são mantidas longe do poder

receba as atualizações do site no seu email é grátis. Digite seu email na caixa e clique em receber , não se esqueça de confirmar a inscrição no email cadastrado


por Mirgon Kayser

Após algumas longas semanas de licença aqui da coluna,  retorno com um tema bastante importante para o período: As mulheres na política.

Num de meus primeiros artigos aqui no blog, salientei a construção social a que estamos submetidos e que traduz-se na morfologia das palavras: Matrimônio, o casamento, é o poder da mãe. O que é mesmo o matrimônio? Cuidar da casa, dos filhos, enfim, construir uma família e um universo íntimo e pessoal. Nada demais, acho isso maravilhoso e uma parte muito importante da vida de quase todos. Nada demais, não fosse o termo que designa isso tudo, ou seja, matrimônio, o poder da mãe, os limites de onde deve chegar a mulher. E  os limites do homem? Ah, sim, claro… Esse é o poder do pai, o patrimônio,  a  posse e o cuidado com o mundo, o poder cujs limites são apenas os individuais, os negócios, a ciência, a religião, a política…


Vendo os últimos 100 anos – ou mesmo 50 – é fantástico identificar o quanto a luta para mudar esse quadro avançou. Não existe área onde a mulher não tenha avançado em conquistas, direitos, reconhecimentos, respeito. É por isso que vejo com particular tristeza quando damos passos para trás.

O século XX foi de muitas conquistas para as mulheres: Direito ao voto e direito a ser votada; direito a controlar sua sexualidade, pois o sexo que antes era um direito do marido, passou a ser estupro, em caso de prática não-consensual; direito ao divórcio; sem contar nas incontáveis conquistas na área do trabalho, da realização profisional, na naturalidade em morar e ter uma vida sozinha, no direito de casar ou não, de ter filhos ou não.

Por isso é com muita tristeza que vejo episódios como o do Distrito Federal, onde Joaquim Roriz, candidato à governador, tem sua candidatura cassada e coloca quem para concorrer em seu lugar? Sua mulher. Por que é qualificada? Não, simplesmente por ser sua mulher, alienada à política e sob seu total controle! A coitada – sim, é uma coitada – chegou a declarar em um debate que “disso quem entende é o meu marido”! É uma variante eleitoral do que acontece diariamente com grandes empresários que usam suas esposas como laranjas, colocando todo tipo de negócio em seus nomes.

Diante de todas as conquistas e contradições que ainda existem na questão do espaço das mulheres no mundo, é impressionante ver como a educação familiar e a pressão do marido fazem com que muitas mulheres simplesmente não se apercebam do que está a sua volta e veem com naturalidade que na Igreja Católica, a mulher só tenha acesso à 6 sacramentos, não tendo acesso ao sétimo sacramento, exclusividade dos homens. As mulheres católicas aceitam sem questionar que os homens sejam os grandes comandantes de todas as estruturas da “santa madre igreja”. Essas mesmas mulheres aceitam que esses mesmos homens que dizem “nós comandamos, vocês são comandadas” lhes orientem sobre questões que deveriam ser ouvidas como a questão envolvendo aborto, casamento, filhos, sexualidade, etc…

Ligo a televisão e o que eu vejo? Um candidato a presidente da República, José Serra, colocando as mulheres “nos seus devidos lugares”, ou seja, como “mãezinhas”. Mulheres são mãezinhas sim, e acho lindo esse momento da vida das mulheres, mas vocês não são só isso, ora. No programa de Serra na TV, só aparecem homens dirigindo o país e mulheres grávidas alisando a barriga. Uma forma de reafirmar os conceitos de “patrimônio e matrimônio” que a tanto tempo queremos ver extintos de nossa sociedade.

É nisso que precisamos pensar e refletir um pouco: A religião oprime as mulheres (inclusive uma apóstola de Jesus Cristo foi redesenhada na história como prostituta), certos homens oprimem as mulheres (recolocando-as em seus lugares, em casa, alisando suas barrigas)… As mulheres não podem deixar que esses mesmos atores lhes digam como pensar, como agir, como existir.

São vocês, mulheres, que tem que dar o basta ao velho patrimônio e matrimônio, transformando as duas coisas numa só, uma existência biocêntrica, com bases na vida e na igualdade entre os gêneros como centro dessa nova construção.

Quero ver mulheres papisas, mulheres pastoras, mulheres aiatolás, mais mulheres deputadas, mais mulheres vereadoras, mais mulheres na construção civil, mais mulheres jogando futebol, mais mulheres pilotanto carros de corrida, mais mulheres poderosas,  mais mulheres presidentas da República.

Mas isso só vai acontecer se vocês ocuparem mais espaços na cena pública, só vai acontencer se vocês virarem as costas para tudo aquilo que não serve, para todos aqueles que as oprimem.

É muito bom estar de volta à minha coluna. Um grande beijo e até quinta-feira que vem.

Twitter: www.twitter.com/mirgonkayser

Blog Pessoal: www.blogdomirgon.blogspot.com

POR QUE ELES ESCONDEM SUAS NAMORADAS?

receba as atualizações do site no seu email é grátis. Digite seu email na caixa e clique em receber , não se esqueça de confirmar a inscrição no email cadastrado


Por Mirgon Kayser

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas às minhas leitoras pela não publicação da coluna na semana passada. Devido a outras atividades, acabei não dando conta de escrever. Avisei pelo Twitter, na própria quinta-feira, mas de toda forma, volto a pedir desculpas.

Leitoras enviaram perguntas sobre a razão dos homens “esconderem” as mulheres com quem envolvem-se, quando estas são gordinhas.

Bom, em primeiro lugar, os homens não escondem as gordinhas somente. Os homens costumam esconder todo affair que não se enquadra no padrão de beleza pré-estabelecido pela “ditadura da beleza”. A ditadura da beleza não é a imposição da beleza, mas a imposição de um padrão determinado do que seja beleza.

Duas pessoas não tem percepções idênticas, portanto duas pessoas não verão a mesma beleza na mesma pessoa. Isso significa que a beleza, embora hajam certas tendências normalmente comuns à percepção de todos, é algo bastante peculiar.

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.